sábado, 16 de outubro de 2010

Palmas - TO

Tudo o que posso dizer, como carioca acostumada com invariáveis 40°, é que nunca vi coisa assim. Palmas ferve, ferve e ferve. Atravessar Palmas ao meio-dia é como andar na superfície do sol.

A ideia de represar o Rio Tocantins foi uma das coisas mais estúpidas e danosas à população e ao meio ambiente que já tive notícia: no meio de um mini-deserto pra lá de caliente, resolveram inventar um meio de torná-lo ainda mais quente e fazer toda aquela água captar e refletir mais calor. Provavelmente quem fez isso mora numa bolha de ar-condicionado bem longe daqui.

Mas Palmas é dee certa forma adorável: do ladinho de Taquaruçu, ou seja, plano perfeito para nós, Os Caçadores de Cachoeiras! Taquaruçu tem mais de 80 cachoeiras catalogadas, e é cheio de pessoas maneiras e hospitaleiras.

Teve uma cachoeira (Vale do Vai-quem-quer) que fomos passar uma noite e acabamos ficando três dias, com a agradabilíssima companhia do Seu Judson, que nos mostrou cada segredo do seu vasto recanto. Lá também pegamos nossa primeira chuva depois de muitos meses de seca absoluta. Foi refrescante e arrebatador ver a força das águas, um presente para o Tocantins em Chamas que conhecemos (a situação das queimadas no estado é preocupante, em número e em extensão. Aqui as queimadas também tem conotação política e social, mas isso é papo pra outro post).

Câmbio final, hasta la vista!

O tempo voa!

Já estamos em 16 de outubro, o Projeto Blog Atualizado já foi para as cucuias há muito tempo mas ainda existe a esperança de conseguirmos "colocar a vida em dia", como diz o Wander.

Desde que saímos da Chapada dos Veadeiros muita coisa já rolou... Resumo da ópera:

ainda próximo da Chapada passamos uma semana de muita prosa e tradição num festejo da comunidade quilombola kalunga no Vão de Almas (local inacessível e charmosíssimo), voltamos pra Brasília, visitamos Terra Ronca (GO) e suas cavernas maravilhosas, conhecemos o Menor Rio do Mundo em toda sua mini-magnitude azulada (Povoado dos Azuis, TO), fomos de passagem em alguns lugares onde, ou não rolou um "clima" ou fatores externos não nos permitiram conhecer (Lagoa da Confusão e Peixe - TO), nos jogamos total no Jalapão e seus cenários exóticos de areias, cachoeiras e fervedouros, vivenciamos total deleite antropológico com os índios na XVIII Feira Krahô de Sementes Tradicionais em Itacajá (TO), esticamos a viagem até o Maranhão (!!!) para conhecer os encantos e as águas de Carolina e Riachão na Chapada das Mesas, voltamos pra Palmas pra dar um tapa no carro e conhecer mais cachoeiras em Taquaruçu, e...

Bem, depois de alguns dias vamos rumo ao Pará. Ainda não decidimos se vamos de Belém ou Santarém, se vai rolar a viagem de barco pra Manaus, etc etc. Mas isso a gente decide no caminho, normalmente em cima da hora e meio por acaso: a estrada definitivamente nos faz pensar melhor e nos apresenta oportunidades e possibilidades mil. Quem sabe onde vamos parar?

O fato é que, pra variar, estamos passando muito mais tempo que o previsto em certos lugares e no caminho vamos conhecendo lugares e pessoas absolutamente inesperados e incriveis. O melhor da viagem é o caminho que nós fazemos, certo?